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Imagens de temas por kelvinjay. Com tecnologia do Blogger.

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Introdução

Jovem,
vida tensa, em mastro,
a arrastar furacões.
Aprendiz de caminhos,
grito da verdade,
noivo da esperança,
enamorado do amor,
ponte lançada por cima
de um rio sem margens.

Sei
que sentes em todo o teu ser
a agitação de raízes novas,
a explosão de seiva nos abrolhos
da tua primavera biológica;
e no coração
um mundo de impressões nunca sentidas,
como o despertar de um ninho de beijos.

Escrevo para ti,
pois bem quereria
aguilhoar a tua inconsciência,
inquietar as tuas raízes,
determinar novo ritmo em tua vida,
despertar em ti sede
e indicar-te o caminho da Fonte,
dar-te uma alma de peregrino
e abrir-te caminhos para o alto.

Escrevo,
como quem brada à esperança
que venha inundar teu coração,
pois sei que a vida é formidável
e quero
brindar contigo à tua vida de homem
agora,
precisamente agora, 
enquanto levas um coração verde,
a alma povoada de caminhos,
a liberdade nos seus passos de infância
e uma personalidade que mal começa a definir-se.

Escrevo,
usando da pena como um chicote,
por estar tão cheio como tu
de tantas vidas inúteis;
porque sabemos que a vida
é um amor muito grande,
capaz de estreitar a todos num abraço.

Escrevo,
porque tudo é possível, ainda, em ti:
o melhor e o pior;
e porque sei que muito em breve
o futuro do mundo pesará sobre os teus ombros.

De modo algum 
dirijo as minhas palavras 
aos que não querem complicações:
os comodistas, os tíbios, os aburguesados,
os calculistas, os satisfeitos, os neutrais,
os escravos da carne.
Para quê?
Não compreenderiam nada.
Ao contrário,
escrevo para todos aqueles
que detestam meias tintas,
os caminhos fáceis e a vida sedentária;
para os insatisfeitos, eternos caminhantes,
sensíveis à fascinação das alturas,
jovens inquietos e rebeldes.

Quero prevenir-te de que estas páginas
não devem ser lidas como se lê uma novela
ou uma revista ilustrada.
Devem ser meditadas, reflectidas,
lidas com «os olhos fechados»,
em silêncio, com calma,
saboreando-as interiormente,
de alma aberta e maternal
como terra em tempo de sementeira.
Mais ainda,
devem ser encarnadas,
feitas vida da tua vida.

Tão pouco as minhas palavras
podem ser programa total do teu caminho.
Apenas pretendi
que mergulhes até às raízes de ti próprio
e que a partir desse teu mundo interior,
seguindo os impulsos fortes do teu ser,
empreendas o caminho, o teu caminho,
para uma vida nova,
aquela que Deus sonhou para ti.

Todavia,
uma coisa mais te quero dizer:
se nos caminhos da tua vida
encontrares algum irmão que vá sozinho,
que siga insatisfeito, com seus passos errantes
ou que haja sofrido, chorado, sonhado;
alguém atormentado pelo sonho de uma vida plena,
chama-o e diz-lhe
que contamos com ele
para abrir connosco
novos caminhos no mundo.

Que não espere salário,
nem aplausos, nem sorrisos,
Terá que dar,
terá que dar-se,
terá que andar depressa,
olhos no alto,
só com Deus, testemunha e prémio.

Antes de deixar-te,
um conselho apenas:
se através destas páginas
te deslumbrar a verdade;
se sentires que estas letras
te lançam uma ponte para a grande aventura
ou te definem a vida como doação,
não te recuses,
não desvies teus passos do caminho
aberto para a luz;
não fujas à voz
que te exprime e convida à verdade dos fortes.

Obedece-lhe;
estuga o passo,
para chegares a tempo de tomar lugar nas fileiras;
ainda que esfoles os pés ou canses o coração;
e, acredita
se mantiveres
alma de atleta,
afirmando-te sempre
o homem que já és,
terás na vida a força de um planeta,
girando, deslumbrando, à roda do sol.

Nas palavras que aqui te deixo,
vê ao menos uma chama
de amor para com os homens
e, sobretudo,
para com os jovens
que ensaiam os primeiros passos na vida,
num desafio à esperança,
numa aposta de amor.

Caro jovem,
sejam para ti as minhas palavras
como o fogo na noite,
a mão de um pai ou de um amigo
a indicar-te o rumo das águias.
Juventude rebelde.